por uma visão sincrônica da linguagem: o caso do termo “macaco” nas interações entre as torcidas da dupla gre-nal

setembro 5, 2009 por Paola

já ouvi muitas vezes pessoas chamando a torcida gremista de racista por chamar os colorados de “macaco”. agora, só um pouquinho, né.

acho que quando o termo foi cunhado, provavelmente tivesse uma conotação negativa, de xingamento. com o passar do tempo, o termo “macaco” nos estádios de futebol, mais especificamente entre as torcidas de grêmio e inter, passou a ser usado como um sinônimo do termo “colorado”.

 o significado de uma palavra é estabelecido no momento em que essa palavra é usada em uma interação. por exemplo, aqueles rappers americanos chamam uns aos outros “nigger”. dá pra ver isso em várias músicas e filmes. é muito claro que nesses momentos em que eles usam o termo para se dirigir ao outro que o termo não é negativo nesse contexto de interlocução.

no caso da palavra “macaco” pelas torcidas da dupla gre-nal, o mesmo pode ser observado. a própria torcida colorada faz uso do termo para se definir: tem uma faixa no beira-rio onde se lê macaco. além disso, em diversas músicas, a própria torcida colorada usa a palavra para falar de si.

 quando usado pela torcida do grêmio, o termo também é um sinônimo de “colorado”. alguém poderia dizer: “ah, mas a torcida do grêmio canta músicas para provocar/agredir/xingar a torcida do internacional…”. e eu digo: “claro, do mesmo modo que a torcida do inter também usa suas músicas para xingar o rival”. se a torcida do grêmio substituísse a palavra “macaco” por “colorado”, não haveria qualquer alteração de significado: a música continuaria sendo uma provação/xingamento/agressão…

 analisando o uso do termo nos eventos futebolísticos atuais, é impossível ter argumentos para dizer que existe racismo pela simples análise do uso do termo, considerando-se, claro, uma análise sincrônica e indicial das palavras/elocuções.

ps: um dia depois de escrever o post, descobri uma outra versão sobre a origem do termo: o termo fazia referência ao primeiro estátio do internacional, o eucaliptos. de um lado do campo não tinha arquibancada, então os colorados subiam nas árvores para assistir o jogo. se essa versão for verdadeira, aí sim que as pessoas não tem MESMO desculpa. enfim, isso foi só uma curiosidade, e resolvi publicar aqui para compartilhar com os leitores do blog. continuo com meu argumento de que o que será ou não xingamento racista será construído em cada aqui e agora da interação.

O que tem de errado em ter critérios de avaliação diferentes para produção escrita e produção oral – ou por que será que algumas pessoas não entendem o que é ensinar uma língua por uma perspectiva comunicativa de raiz

maio 30, 2009 por Paola

Em diferentes lugares onde discuti avaliação de língua (materna e adicional) ouvi pessoas dizendo várias coisas que se valem de critérios diferentes para avaliar produção oral e produção escrita, pelo fato de essas serem duas modalidades distintas de comunicação. Quando essas pessoas explicitam as diferenças de critério (que normalmente tem a ver com o grau de exigência em relação ao uso “correto” do idioma) chega a me dar um arrepio na espinha!

 Essa oposição entre fala X escrita revela o entendimento de que não importa necessariamente a situação de comunicação em jogo e as ações que o aluno está realizando por meio da língua inglesa. O que importa, de fato, é que esse aluno está produzindo material lingüístico (não, ainda não me adaptei à reforma ortográfica…), e esse material lingüístico é o que de fato será avaliado. Em outras palavras, a avaliação não será sobre a participação do aluno naquela dada situação na qual ele está engajado no momento em que ele produz o material lingüístico, mas sim do material lingüístico isolado da comunicação. Até aí nenhum problema, se a definição do objeto de aprendizagem é “material lingüístico produzido em L.A.”. A porca começa a torcer o rabinho quando essas mesmas pessoas dizem que ensinam seus alunos a “se comunicar pelo uso da língua adicional”.

Se o objeto de ensino/aprendizagem é a comunicação por meio do uso da L.A., não se pode enxergar “produção oral” e “produção escrita” como blocos estanques. Cada situação de “comunicação oral” é singular e tem suas especificidades, bem como cada situação de “comunicação escrita” será singular e terá, também, suas especificidades. Acho que todo mundo concorda que quando conversa numa mesa de bar com amigos usa a linguagem de modo distinto de quando defende uma dissertação tendo na banca professores que não são tão próximos. E que conversar com nossos amigos num jantar é diferente de participar em um jantar de negócios. Cada uma dessas situações de comunicação oral é diferente da outra. Se as situações são diferentes, não se pode ter em mente os mesmos parâmetros para avaliar TODA e QUALQUER produção oral. O mesmo vale para situações de comunicação escrita. Deixar um scrap para um amigo no Orkut é diferente de escrever um e-mail para o chefe para falar de negócios. Cada situação é uma situação e deve ser analisada como diferente da outra.

Concordo que os professores devam ter em mente alguns critérios fixos na hora de avaliar. Entretanto, esses critérios devem ser moldados a cada situação de uso. Por exemplo, se trabalhamos com ensino de L.A. voltado à comunicação, os critérios devem estar relacionados com a participação do aluno nas situações de uso da linguagem nas quais ele se engajou. Por exemplo, se a tarefa de produção oral é um role-play de uma entrevista de emprego, é importante conversar com os alunos antes o que eles acham que é importante e o que não é tão importante em uma entrevista de emprego: é importante ser preciso ao descrever os empregos anteriores?, é importante o uso preciso do idioma (tanto quanto for possível no nível do aluno)?, é importante que o candidato ao emprego pergunte coisas em relação ao emprego futuro?, e por aí vai. Quando se avalia a produção oral dos alunos durante uma atividade de role-play em que dois amigos discordam de algo, acredito que os critérios de avaliação serão distintos do que quando avaliamos a entrevista de emprego. E, note: ambas são situações de comunicação que acontecem por meio do uso da língua falada.

Com isso, quero dizer que comunicação deve ser avaliada como comunicação, seja ela oral ou escrita, e que o que vai dizer o que é “errado” e “certo”, ou “adequado” e “inadequado”, é a própria situação de comunicação pelo uso da L.A. que está em jogo, ou seja, a própria tarefa que foi lançada. Para mim, isso é ensino comunicativo.

conversa com uma aluninha de 5 anos

fevereiro 20, 2009 por Paola

aluninha: vc não é daqui, né, profe?
eu: não, não…
aluninha: mmm já sei! vc é do nordeste!
eu: não…
aluninha: então de minas!
eu: ((???)) … não, não sou de minas … mais ao sul
aluninha: paraná?
eu: mais ao sul.
aluninha: santa catarina?
eu: não, não, um pouquinho mais pro sul.
aluninha: ((me olhando com cara de interrogação fica em silêncio))
eu: sou do rio grande do sul
aluninha: ((franzindo a testa)) mmm. daonde mesmo?

os sinais da pós-modernidade

fevereiro 11, 2009 por Paola

sabe como a gente se dá conta do mundo mudéééérrrrrno em que vivemos?

quando percebemos que alguém tá de cara quando: 1. te apaga do orkut, 2. te bloqueia no msn e 3. dá um “unfollow” no twitter. no meu caso (e no de muitas outras pessoas que não têm orkut), digamos que o trabalho seja um pouco menor.

miradouro bossa e chop

janeiro 29, 2009 por Paola

ontem fomos no miradouro jantar (a comida é bem boa. meio carinha, mas boa) por acaso. estávamos a caminho de outro lugar. Ao passar pela frente do boteco, não resistimos: vamos ir no restaurante de esfiha outro dia?

o lugar é uma casa antiga muito bonitinha, com jeito de boteco antigão. o bar se denomina “bossa e chop”, então parece que sempre tem um sonzinho rolando e tal. ontem tinha show só com bossa nova. bem legal. parece o nito, de porto alegre. tem caricaturas all over, atendimento bom, cerveja gelada e tudo o mais.

recomendo altamente. fica no bairro paraíso, próximo à estação de metrô, na rua apeninos 883.

eu queria que alguns professores entendessem que…

janeiro 28, 2009 por Paola

quando usamos um instrumento de avaliação para avaliar QUALQUER COISA, o que estamos avaliando é a capacidade do “avaliando” de fazer o que lhe é solicitado por tal instrumento.

se o instrumento de avaliação são excercícios do livro, o que vamos avaliar é a capacidade do aluno em fazer os exercícios do livro. se exercícios solicitam ao aluno que ele preencha lacunas, o que é avaliada é sua capacidade de preencher lacunas. se os exercícios solicitam a escrita de frases com determinado tempo e aspecto, o que será a avaliada é a capacidade do aluno de produzir frases (muitas vezes isoladas uma da outra) com tal tempo e tal aspecto.

será que os professores que avaliam PRODUÇÃO TEXTUAL e se valem dos tipos de exercício acima como instrumentos para fazer inferências têm noção disso?

quem disse que porto alegre não lança moda?

janeiro 27, 2009 por Paola

toma! primeira champanharia do brasil é de lá. quero ver se visito qualquer hora a ovelha negra daqui :)

pizza, pizza, pizza

janeiro 10, 2009 por Paola

aqui em são paulo tem MUITA pizzaria. só aqui na volta de casa tem umas três, sendo uma delas literalmente DO LADO daqui de casa.

buenas, esses dias decidimos sair pra jantar e, tendo como critérios o uso do VR e a localização na vila mariana, pesquisamos na internet pizzarias. fomos parar na estação 45, umas três quadras daqui.

de cara gostei do lugar: o dono parece colecionar tudo que é coisa: telefones antigos, carrinhos de brinquedo, pôsteres de propagandas antigas entre outras coisas. tudo isso exposto dentro da pizzaria. além disso, o cardápio oferece várias cervejas: normais, artesanais e importadas. e não cobra um preço abusivo por isso. muito bom. fomos de bauhaus. dilícia!

a pizza é muito boa. pedimos uma grande de roquefort com tomate e catupireza. uns 30 reais e 8 deliciosos pedaços.

a vila madalena que eu não conhecia…

janeiro 9, 2009 por Paola

ontem saímos pra umas cervejas (ou brejas, como dizem os locais) com a lorena, que já tá por estas bandas desde abril. fomos num barzinho muito legal na vila madalena que não tem (quase) nada a ver com os bares que eu já tinha visto na região, a mercearia são pedro.

pra começar, o bar fica longe da muvuca generalizada do bairro, perto do metrô. o bar também não participa da máfia de valets, que cobram uns 15 reais pra estacionar os carros das pessoas NA RUA. a opção de estacionar o carro na rua sem pagar mais por isso já começa a baratear o passeio.

o preço da cerveja também é interessante: 5 pilas a bohemia e 4 e 60 umas outras marcas.  IGUAL A PORTO ALEGRE. os garçons passam com pastéis recém fritos em bandejas, e a galera que quer dar uma beliscada só chama o moço que alcança os deliciosos pastéis na hoooora. não comemos, mas deu MUITA água na boca.

o bar fica aberto durante o dia. no almoço tem comida caseira, gostosa (dizem) e barata.

de qualquer modo, fica a dica pro pessoal que vem pra cá passear e se pilha em conhecer coisas diferentes.

ps: foi lancado um livro de contos cujas histórias se passavam na mercearia. aqui e aqui dá pra ver o lançamento do livro, feito  na própria mercearia. dá pra dar uma olhadinha e ver por que o bar é tããão legal.

demorou, mas saiu: análise da conversa em português

janeiro 5, 2009 por Paola

pra quem quiser mais informações é só ir no site da mercado de letras. tá rolando uma promoção com 20% de desconto (dá 30 pilas). ainda n temos a data do coquetel de lançamento. provavelmente será em março. assim que tiver mais infos aviso. olha aqui embaixo o banner. tem até meu nomezinho hehehehe.

fala_interacao